PARA LER » Coleção Histórica Marvel (2012)

Em tempos de Vingadores fazendo fortunas nos cinemas (alcançando a marca de quarta maior bilheteria da história do cinema mundial), as bancas se enchem de lançamentos envolvendo o grupo e seus respectivos integrantes. Alguns títulos são totalmente questionáveis e facilmente dispensáveis, como ‘prelúdios’ ou ‘adaptações oficiais’. Já outros, conseguem fugir do estigma de serem apenas produtos ‘caça níqueis’, e agregam um certo “valor” à iniciativa. Como é o caso da Coleção Histórica Marvel.
Lançada pela editora Panini, a série de quatro volumes promete resgatar de forma individual momentos marcantes dos chamados “Heróis mais poderosos da Terra!” - de preferência, capítulos diretamente ligados à produções cinematográficas produzidas pela Marvel Studios.
“AÇÃO! EMOÇÃO! AVENTURA!” - Coleção Histórica Marvel #1/2012
O primeiro exemplar não poderia deixar de ter como foco principal o ‘primeiro vingador’, Steve Rogers, também conhecido como Capitão América - e confirma muito bem a proposta da coleção. No decorrer de 164 páginas, embarcamos em uma verdadeira viagem no tempo, visitando parte da história dos quadrinhos norte-americanos de super hérois através dos alicerces da MARVEL COMICS.
Voltamos à década de 40 e somos apresentados à primeira aventura do héroi, publicada originalmente na revista ‘Captain America Comics’ #1 (Março/1941). Criado por Joe Simon e Jack Kirby para a editora Timely Comics - que mais tarde viria a se tornar a MARVEL -, o personagem foi concebido para ser uma espécie de propaganda política, um símbolo do patriotismo norte-americano durante a Segunda Guerra Mundial. A capa dessa edição é icônica e diz muito sobre o sentimento da época, ao mostrar o ‘bandeiroso’ socando o líder nazista Adolf Hitler.
“Não tenha medo filho …você está prestes a se tornar um dos salvadores da América […] Nós o chamaremos de Capitão América! - Captain America Comics #1/1941
Porém, com o fim dos conflitos em 1945, a publicação perdeu força, o que levou os executivos da editora a optarem pelo seu cancelamento.

‘A lenda viva’ foi literalmente resgatada em 1964, pelas mãos de Stan Lee e do seu próprio co-criador Jack Kirby, nas páginas de ‘The Avengers’ #4* - título criado pela Marvel, em 1963, para “brigar” com o principal grupo de hérois publicado por sua ‘distinta concorrente’: A Liga da Justiça da DC COMICS.
A edição *(que não está presente neste encadernado, mas foi republicada em ‘Biblioteca Histórica Marvel - Vingadores’ #1, Panini/2007) mostra a segunda formação dos Vingadores (Thor, Homem de Ferro, Vespa e Gigante) encontrando o corpo inerte do Capitão América congelado em um iceberg. Descobre-se que ápos cair de um avião experimental no Átlantico Norte, no que foi a sua última missão na Segunda Grande Guerra, o ‘sentinela da liberdade’ manteve-se em animação suspensa, sobrevivendo apenas devido a poderosa constituição física fornecida à Rogers pelo ‘soro de supersoldado’.
Com este mote, os autores conseguiram não só explicar de maneira bastante criativa a ausência do héroi durante todo esse tempo e inserí-lo naturalmente no panteão recém criado da editora, mas também abrir um leque enorme de possibilidades para o futuro deste ‘estranho em uma terra estranha’, lançado vinte anos à frente do seu tempo em um Pós-Guerra de uma Ámerica “diferente”, que ele não reconhece de imediato.

No mesmo ano e ainda sob os cuidados da dupla que o “ressuscitou”, o Capitão América estreia a sua primeira aventura solo na edição #59 de ‘Tales of Suspense’ (Novembro/1964) - dividindo o título com outro héroi vingador, o Homem de Ferro. Na época, os autores decidiram mostrar um personagem poderoso, de inumeras habilidades especiais, mas acima de tudo, humano - abordagem que se tornou marca registrada da editora em seus anos primevos.
Além do debut citado acima, o primeiro volume da Coleção Histórica Marvel traz ainda os números #79, #80 e #81 do periódico, publicados entre Julho e Setembro de 1966. Neles, o héroi descobre que seu principal inimigo dos tempos de guerra, o Caveira Vermelha, também está vivo, e ávido para controlar o Cubo Cósmico: um poderoso artefato capaz de manipular a realidade conforme a vontade daquele que o possui. É o primeiro confronto com o vilão na Era Moderna da MARVEL - duelo que viria a se repetir inumeras vezes ao longo dos tempos.
“Enquanto os homens considerarem a liberdade garantida… enquanto rirem da fraternidade… esnobarem a honestidade… e esquecerem a fé… as forças do Caveira Vermelha estarão sempre mais perto da vitória final!” - Tales of Suspense #80/1966
Os acontecimentos que fecham essa primeira edição foram exibidos originalmente entre Janeiro e Maio de 1969 nas páginas da revista ‘Captain America’ (#109-#113) e trazem como atrativo principal o mestre Jim Steranko, que alternou por um curto, porém marcante período de tempo, as ilustrações do título com o lendário Jack Kirby.
Elementos clássicos da mitologia do personagem são abordados nestas edições, como a organização terrorista HIDRA e Bucky Barnes, seu “falecido” e eterno parceiro: ítens que tratados sob a peculiar ótica narrativa de Steranko e a classe estilística do ‘Rei’ (como Kirby é conhecido), ganham contornos artísticos poderosos, engrandecendo ainda mais o conteúdo histórico da coleção.

Além do conteúdo convidativo, destaca-se também o atraente acabamento gráfico atribuído pela Panini ao encadernado. As edições possuem um simpático design vintage (com direito à rachuras e sinais do tempo), que alimenta uma ótima sensação nostálgica durante a leitura.
A editora acertou também em outro ponto importante: o preço. Com capa cartonada, lombada quadrada e papel offset, o valor de R$22.90 não é nenhum absurdo (o primeiro volume sai pelo preço promocional de R$19.90).
“O verdadeiro herói segue lutando, mesmo quando a causa é impossível e o prêmio se perdeu” - Tales of Suspense #81/1966
Devido a sua natureza icônica, o Capitão Ámerica sempre vai ser um personagem polêmico para uns ou complexo para outros, e com certeza, um ótimo representante daquela máxima que diz: “não existem personagens ruins, e sim, escritores ruins”.
Um excelente pontapé inicial para a série. Espero que essa coleção não fique restrita aos Vingadores, se estendendo também para outras figuras da ‘Casa das Ideias’. E que venha o todo poderodo ‘Deus do Trovão’, THOR!
» leia também: Capitão Ámerica: Soldado Invernal (2011)
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